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Nicolas Poussin, A Fuga para o Egito, 1657
Other pictures
1657
Oleo sobre tela
H. 97 ; L. 133 cm
Depósito do Estado em 2008
 
Colecções
Nicolas Poussin
[Les Andelys, 1594 – Roma, 1665]
A Fuga para o Egito

Nicolas Poussin representa aqui uma passagem célebre do Evangellho de São Mateus no decorrer da qual o rei Herodes, depois de ter sido informado pelos reis Magos do nascimento, em Belém, do « rei dos Judeus », ordena a matança de todas as crianças da cidade com menos de dois anos. José foi avisado, em sonhos, por um anjo, de que devia fugir para o Egito com a criança e a sua mãe para escapar ao massacre.

O artista elabora a sua composição em torno de uma diagonal delimitando, à esquerda, o espaço sagrado (celeste) e à direita o espaço profano (terrestre). Ao centro, a Sagrada Família desloca-se numa paisagem do campo romano, guiada por um anjo. Cada olhar designa uma direção ou um diálogo particular : José questiona o anjo, Maria volta-se para trás  simbolizando a nostalgia do passado, o burro avança à sombra para um futuro incerto, enquanto Jesus, ao centro da composição, interpela o espectador. As diagonais do quadro convergem para o gesto protetor da Virgem, assinalando assim que a fuga para o Egito constitui uma dos sete dores sentidas pela Virgem, anunciadora da Paixão do Cristo.

Instalado definitivamente em Roma desde 1642, Poussin inspira-se nos vestígios da antiguidade, obras do Renascimento, assim como em modelos clássicos contemporâneos de Annibal Carrache. Assim, a figura da Virgem que se volta para trás deriva sem dúvida de uma baixo-relevo romano, a atitude do anjo e a pose do viajante deitado inspiram-se em frescos e em gravuras de Rafael, o pórtico do fundo e a árvore curvada são tiradas de um mosaico da antiguidade.

Esta obra foi encomendada ao artista, em 1657, por Jacques Sérisier, negociante em sedas lionês instalado em Paris. Aos 63 anos, Poussin era então um dos grandes nomes da pintura europeia e o iniciador do classicismo francês. O artista-filósofo realiza aqui um dos seus quadros mais enigmáticos, onde transparece a sua reflexão universal e intemporal sobre o exílio.

Classificada Tesouro Nacional em 2004, A Fuga para o Egito foi adquirida pelo museu de Lyon em 2007 graças à municipalidade de Lyon, ao Ministério da Cultura e da Comunicação, ao Museu do Louvre, ao Concelho Regional de Rhône-Alpes e a 17 mecenas, com o auxílio da Fundação Léa e de Napoléon Bullukian.